Dieta Mediterrânea pode ajudar a retardar o envelhecimento. BMJ 2014;349:g6674.

 

Uma nova metanalise sugere mais um benefício potencial para a saúde da dieta mediterrânea. Nesta recente publicação, uma maior adesão à esta dieta foi associada com maior comprimento dos telômeros, um biomarcador de envelhecimento.

 

 

Segundo a autora,  Immaculata De Vivo, MPH, PhD, da Brigham and Women's Hospital and Harvard Medical School, Boston, Massachusetts, "Os benefícios de saúde de maior adesão à dieta mediterrânea como  diminuição da mortalidade geral, o aumento da longevidade e redução da incidência de doenças crônicas, especialmente as principais doenças cardiovasculares, foram consistentemente demonstrados".

 

 

"Nossos resultados apóiam ainda mais os benefícios na saúde da adesão à dieta mediterrânea e fornece algumas dicas sobre o mecanismo fisiológico subjacente a esta associação", O estudo foi publicado 02 de dezembro no British Medical Journal.

Proteção dos telômeros

 

Os telômeros são sequências de DNA repetitivas nas extremidades dos cromossomos que encurtam progressivamente com a idade. Telômeros mais curtos estão associados a menor expectativa de vida e maior risco de doenças relacionadas com a idade. Obesidade, tabagismo e outros fatores de estilo de vida têm sido associados a menor comprimento dos telômeros. O estresse oxidativo e inflamação podem acelerar encurtamento dos telômeros.

 

 

A dieta mediterrânea é rica em frutas, legumes, nozes, legumes, grãos não refinados, azeite e peixe, com uma quantidade moderada de consumo de álcool e baixa ingestão de produtos lácteos, carne e aves.

 

"Frutas, legumes, azeite e nozes - componentes-chave da dieta mediterrânea - possuem bem conhecidos efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios que podem equilibrar os efeitos deletériuos do tabagismo e da obesidade". Vários estudos caso-controle têm sido realizados para investigar a associação entre o comprimento dos telômeros de leucócitos e câncer, doença cardiovascular e função cognitiva, entre outros",  é o que escrevem os pesquisadores.

 

A presente análise incluiu dados sobre 4.676 mulheres de meia-idade saudáveis selecionadas como controles saudáveis (livres das principais doenças crônicas, incluindo câncer e doenças cardiovasculares) em um desenho de estudo do tipo caso-controle. O estudo vem acompanhando a saúde de mais de 120.000 enfermeiras dos EUA desde 1976. As mulheres completaram questionários detalhados de alimentos e realizam exame de sangue para medir o comprimento dos telômeros.

 

Para cada sujeito do estudo, os pesquisadores calcularam um escore de alimentação que varia de 0 a 9 pontos, onde a pontuação mais elevada representa uma maior adesão à dieta mediterrânea.

 

Os principais resultados foram aferidos pela associação entre o comprimento dos telômeros em leucócitos do sangue periférico medidos em tempo real por reação em cadeia de polimerase quantitativa e a pontuação de uso da dieta mediterrânica. Como esperado, as mulheres mais jovens tinham telômeros mais longos (p<0.001). Após o ajuste para potenciais fatores de confusão, tais como obesidade, tabagismo e atividade física, maior adesão à dieta mediterrânea foi significativamente associada com telômeros mais longos.

 

De acordo com os pesquisadores, para cada aumento de 1 ponto na pontuação dieta houve em média a 1,5 menos anos de envelhecimento dos telômeros. A mudança de 3 pontos correspondeu a 4,5 menos anos de envelhecimento dos telômeros em média. Isto é semelhante à diferença entre fumantes e não fumantes (4,6 anos), mulheres ativas e mulheres menos ativas (4,4 anos), e de mulheres com escores de ansiedade alta e escores de ansiedade baixo (6 anos), dizem os pesquisadores.

 

Nenhum dos componentes da dieta indiviualmente foi significativamente associado com o comprimento dos telômeros.

 

"A questão de pesquisa futura deve ser destinada a determinar quais componentes da dieta mediterrânea está dirigindo essa associação", dizem os autores. "Isso permitiria conhecer mais detalhes sobre o mecanismo biológico, bem como fornecer uma base para o aumento da educação pública para as escolhas de estilo de vida." Estudos semelhantes realizados em homens também seria de interesse, concluem.

 

 

 

Dieta Baseada em Evidências

 

Em um editorial publicado com o estudo, Peter Nilsson, MD, PhD, da Universidade de Lund, na Suécia, diz que a dieta mediterrânea é a "pedra angular de aconselhamento dietético na prevenção das doenças cardiovasculares, e o fato de que ela também mostra relação com um biomarcador de envelhecimento mais lento é reconfortante. "

 

O Dr Nilsson acrescenta que este novo estudo traz informações importantes para explicar alguns dos efeitos do estudo Prevención Dieta Mediterrânea (Predimed) publicado no New England Journal of Medicine, em 2013. O estudo Predimed, que foi realizado na Espanha, um país mediterrâneo, descobriu que uma dieta mediterrânea protege contra doenças cardiovasculares pessoas com alto risco cardiovascular. A dieta mediterrânea, segundo o Dr. Nilsson, "é uma das poucos dietas baseadas em evidências."

 

BMJ. Publicado on-line 02 de dezembro de 2014. Ler RESUMO (Abstract).

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