OUTRAS CONDUTAS DO PROJETO ACERTO

Informação pré-operatória

O grau de informação do paciente antes e durante o seu período de internação faz diferença na sua recuperação. O conhecimento pelo paciente das opções de tratamento que podem ser instituídos faz com que haja redução de seu conflito quanto à decisão que lhe foi oferecida, estimulando-o a ocupar um papel mais ativo nas tomadas de decisões. Consideramos a informação pré-operatória ponto chave na aceitação do paciente (e de sua família) em relação a outras importantes rotinas de um protocolo multimodal como o ACERTO. Foi instituído de forma a abranger a doença e detalhes de seu tratamento. Essas informações têm por objetivo diminuir a ansiedade, melhorar os cuidados com a ferida operatória e nutrição, assim como diminuir a expectativa quanto a curativos, drenos e sondas quando necessários.

Analgesia no pós-operatório

Analgesia pós-operatória é um dos pilares do protocolo multimodal de aceleração da recuperação pós-operatória, sem dor o paciente sente-se mais seguro para obter alta precoce. O uso de opiáceos deve ser desestimulado, apesar da ação analgésica estão relacionados com efeitos colaterais indesejados tais como: depressão respiratória, retenção urinária, náuseas, vômitos e íleo pós-operatório prolongado. Assim, preconiza-se que o controle álgico no pós-operatório seja realizado preferencialmente sem o uso de opióides sistêmicos. Os mesmos podem ser utilizados por outras vias, sobretudo, as via peridural, seja através de cateteres para analgesia implantados no momento da anestesia (analgesia por cateter peridural), seja a analgesia controlada pelo pacientes através da infusão por bombas de PCA. Os analgésicos não-opióides e mesmo AINEs podem ser utilizados por via sistêmica, respeitando-se as doses recomendadas a estando-se atentos aos possíveis efeitos colaterais.  

Uso racional de Antimicrobianos

Não obstante todos os demais avanços que permearam o século XX, com especial destaque a descoberta da penicilina do Alexander Fleming em 1928, a infecção do sítio cirúrgico (ISC) continua sendo mesmo nos dias atuais um desafio constante para cirurgiões e profissionais de saúde.  Sua incidência varia de cirurgião para cirurgião, de hospital para hospital, de uma determinada cirurgia para outra e, principalmente, de paciente para paciente. É a terceira causa mais freqüente de infecção nosocomial, sendo responsável por 14  a 16% das infecções em pacientes hospitalizados, e 38% das infecções em pacientes cirúrgicos (tipo de infecção mais comum entre estes pacientes). Cerca de 2/3 delas estão confinadas a incisão, 13 órgão/espaço. Acredita-se que um percentual de 77% de óbitos em pacientes operados tenha relação com infecções, sendo 93% delas correlacionadas a uma infecção grave de órgão/espaço. Acredita-se que cada caso de ISC aumente em 7,3 dias o período de internação pós operatória de um paciente, o que está relacionado a um custo adicional de aproximadamente 3150 dólares. A prevenção desta, bem como de todas as demais formas de infecções hospitalares deve constituir o objetivo de todos os profissionais de saúde.

 

Recomedação:

  • Apenas permitir indicação de antibióticos em pacientes cirúrgicos com base em protocolos padronizados pelo serviço, sob supervisão da CCIH - Comissão de Controle de Infecção Hospitalar.

  • As definições e normas que regem a indicação de antibiótico-profilaxia e antibiótico-terapia deverão seguir os guidelines validados e aplicados nacionalmente.

  • Auditoria mensal ou no máximo a cada 3 meses no serviço quanto aos índices de infecção do sítio cirúrgico e aplicação das normas de controle recomendadas.

Mobilização ultra-precoce

A movimentação é reconhecida como sendo o componente primário, secundário e terciário na prevenção de todas as morbidades e mortalidade causada por doenças. Imobilização devido a cirurgias e hospitalização levam a diminuição e deficiência da função muscular. Iniciar exercícios desde a internação até a alta hospitalar e encorajar o paciente a mantê-los na residência faz com que a perda de massa muscular seja menor. 

© copyright 2014 | Alberto Bicudo Salomao 

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