ABREVIAÇÃO DO JEJUM PRÉ-OPERATÓRIO

Tanto um breve jejum quanto alimentação hipocalórica por 1 a 3 dias, o que ocorre com freqüência nos serviços de cirurgia, resulta em significante diminuição da sensibilidade à insulina mesmo em indivíduos sadios. Essa diminuição da sensibilidade à insulina esta relacionada com maior índice de infecção pós-operatória, maior risco de morbimortalidade e maior tempo de internação.

 

A resistência insulínica desenvolve-se não só em grandes cirurgias mas também nas de menor porte como herniorrafias e colecistectomias por via laparoscópica. A resistência a insulina é muito parecida com a Diabetes tipo II quando ocorre uma diminuição da sensibilidade à insulina. A maior causa da hiperglicemia e da resistência à insulina é devido à diminuição na captação da glicose estimulada pela insulina nos tecidos a ela sensíveis, principalmente os músculos esqueléticos. Esse processo está associado a uma modificação na resposta de proteínas transportadoras de glicose, especialmente GLUT-4, ao estimulo insulínico. Em indivíduos sadios, quando há o estimulo insulínico, essas proteínas são translocadas para o interior da membrana celular onde facilitam a captação da glicose para dentro da célula. No interior da célula a oxidação da glicose é mantida mesmo com o paciente apresentando resistência à insulina. Ainda não está claro qual ou quais os principais mediadores para o desenvolvimento da resistência insulínica após cirurgias.

  • ‹‹Não permitir jejum prolongado.
  • ‹‹Manter jejum para sólidos por 6 a 8h antes da operação.
 
  • ‹‹Prescrever bebida com carboidrato (maltodextrina) a 12%, 200mL 2 e 6h antes da operação, ou bebida com maltodextrina e proteínas 6h antes e novamente 2 a 3h antes da operação.
 
  • ‹‹Faz-se uma exceção para casos de refluxo gastresofágico importante, obstrução intestinal ou esvaziamento gástrico retardado (p. ex., gastroparesia ou estenose pilórica).

Sabe-se que o esvaziamento gástrico para líquidos não calóricos é extremamente rápido e em aproximadamente 10 minutos metade da quantidade ingerida já passou para o duodeno, quando o líquido é enriquecido com glicose o esvaziamento é mais lento inicialmente, porém decorridos 90 minutos não existe diferença. Para os sólidos o esvaziamento inicia-se em 1 hora, com 2 horas aproximadamente 50% passou para o duodeno; independe da quantidade ingerida, mas é dependente da densidade calórica.

 

Em consonância com muitos trabalhos e guidelines de sociedades nacionais de anestesia a ingesta de líquidos claros esta liberada até 2 horas antes do procedimento anestésico, os preparados que incluem leite ou outra fonte de gordura precisam de 6 horas assim como alimentos sólidos. Vários estudos foram feitos com a possibilidade de os pacientes tomarem água num período de até 3 horas antes da cirurgia e demonstrou-se que esse procedimento tanto em adultos quanto em crianças diminuía a sede e a ansiedade quando comparados com o jejum tradicional. Esse mesmo estudo demonstrou que o uso de soluções com 285 mOsm/Kg e 12% de carboidratos era segura quando ingeridos até 2 horas antes da cirurgia pois nesse tempo havia completo esvaziamento gástrico além de com o uso do líquido enriquecidos com carboidrato havia diminuição da resistência à insulina no pós-operatório. Nos últimos anos tem-se utilizado líquidos enriquecidos com carboidratos no pré-operatório e demonstrou-se que além de ser seguro ainda diminui a resistência à insulina. Devido a relativa baixa osmolaridade essa solução promove um esvaziamento gástrico rápido, semelhante ao da água. Também reduz a sede, a fome, a ansiedade e os vômitos.

© copyright 2014 | Alberto Bicudo Salomao 

Todos os direitos reservados

SUBIR