Gasto Energético Estimado em Adultos

(Cálculo para Terapia Nutricional)

 

 

 

 

 

por Alberto Bicudo Salomão MD, PhD. (Dez/2015)

 

Doutor em Cirurgia e Metabolismo pela Faculdade de Medicina da Univ. Federal do Mato Grosso

Coordenador da Disciplina de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina da Univ. de Cuiabá

Cirurgião Assistente do H.U. Júlio Muller - Faculdade de Medicina da Univ. Federal do Mato Grosso

Especialista em Cirurgia Geral

Especialista em Cirurgia do Aparelho Digestivo 

REFERÊNCIAS:

 

 

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Para o planejamento nutricional faz-se necessário conhecer as necessidades energéticas, protéicas, de minerais e vitaminas dos pacientes assim como decidir qual será a melhor oferta dos nutrientes em termos de quantidade e via de acesso. A melhor forma de se conhecer as necessidades energéticas é atravé de sua medida por calorimetria indireta, cada vez mais disponível em nosso ambiente hospitalar.

 

Quando não se dispõe de calorimetria indireta é possível estimar o gasto energético por meio de fórmulas estimativas que levam em conta, entre outros fatores, o peso e altura corpóreos, idade e sexo. Das diferentes fórmulas disponíveis a equação de Harris-Benedict tem sido muito usada. Ela fornece o gasto metabólico basal, que se multiplicado por fator de atividade fornece o gasto metabólico em repouso. Para pacientes cirúrgicos com perda reduzida de peso, é possível proceder ao cálculo com o peso usual. Quando a perda for superior a 10% recomenda-se iniciar com o peso real medido e progressivamente ajustar com o peso usual. Para enfermos com índice de massa corpórea superior a 25, recomenda-se usar o peso ideal ajustado. Deve-se mencionar que os cálculos estimativos de gasto energético, de forma geral, superestimam os valores obtidos por calorimetria indireta.

 

 

A oferta de energia pode variar com as condições em que o paciente oxida as calorias recebidas em ATP e CO2. Portanto, depende também do estado metabólico geral do paciente em termos de oxigenação, perfusão, pH, hidratação e presença de minerais. De maneira geral no período pré-operatório a meta é fornecer aos doentes, energia na quantidade necessária para restaurar as condições mínimas para garantir os processos de coagulação, inflamação, combate a infecção e cicatrização do trauma por vir. Para doentes com doenças benignas e se a intervenção cirúrgica puder esperar, recomenda-se um período de terapia nutricional de até três semanas para a recuperação do estado nutricional. Para aqueles com recomenda 7 a dias de terapia nutricional pré-operatória sem se pretender que mudanças objetivas nos parâmetros rotineiros de avaliação nutricional.

 

 

No período pós-operatório, a necessidade energética vai se modificar conforme a intensidade da agressão cirúrgica ou traumática e de acordo com o tempo de evolução. Para intercorrencias o período catabólico dura até cinco dias, diferentemente dos doentes que complicam ou que estão na UTI sob cuidados críticos. Nesses, o período catabolico é prolongado com maior taxa de hipercatabolismo. Doentes sedados no ventilador têm menor gasto energético que aumenta muito na fase de desmame. Deve-se evitar a hiperalimentação, especialmente em doentes criticamente graves, por riscos de alterações hepáticas, imunológicas e dificuldade no desmame de ventilação artificial. Em pacientes críticos períodos de jejum prolongado, e principalmente se desnutridos, a oferta de calorias deve ser cautelosa pelos riscos da síndrome da realimentação. A energia pode ser ministrada carboidratos e lípides, sendo que a proporção entre eles variável de acordo com a via de acesso e o metabolismo do doente. Vale lembrar a necessidade de oferta de glicose no estresse metabólico varia em torno de 60 a 70% do total de calorias não protéicas. No entanto, a oferta de glicose não deve ultrapassar 5 mg/kg por minuto que é o limite de sua oxidação. Nos doentes críticos 24 recomenda-se permanecer abaixo deste limite (3 a 4 mg/kg/minuto) sob pena de hiperglicemia e suas funestas repercussões.

 

 

 

Equação de Harris- Benedict


Homem GEB = 66,47 + (13,7 x P atual) + (5 x A) - (6,755 x I)

Mulher GEB = 655 + (9,6 x P atual) + (1,85 x A) - (4,676 x I)

Onde: P = peso em kg; A = altura em cm; I = idade em ano


Para o paciente hospitalizado:

GET= GEB x fator atividade x fator injúria

Fator atividade: paciente confinado ao leito = 1,2 / paciente fora do leito = 1,3 

Fator de injúria: cirurgia menor = 1,2 / trauma esquelético = 1,35 / septicemia = 1,6 / queimadura térmica extensa = 2,1


Fórmula de Bolso - Espen, 2006

Gasto Energético Total (GET)

Paciente Grave (Catabolismo): 20-25 kcal/Kg de peso / dia 

Paciente Estável (Anabolismo): 25-30 kcal/Kg de peso / dia

Paciente apresentando Desnutrição Severa: 25-30 kcal/Kg de peso / dia

 

 

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