A icônica Silent Lucidity: uma viagem astral ...

March 31, 2015

 

A canção "Silent Lucidity", uma balada icônica da não menos maravilhosa banda americana Queensrÿche, esconde na profundidade de sua letra e em sua envolvente melodia, mistérios ainda pouco esclarecidos da mente humanda.

 

Após lançar o grande álbum “Operation Mindcrime”, em 1988, o Queensrÿche finalmente havia conseguido estar entre as grandes bandas dos EUA, conseguindo que a crítica especializada se rendesse ao seu talento e que números expressivos de vendas fossem atingidos nas paradas de todo o mundo. Se a banda ainda não estava no topo, isso mudaria em 1990, quando o multiplatinado “Empire” é lançado, e nele estava contido o maior sucesso comercial da carreira da banda, “Silent Lucidity”.

 

Devido à sua melodia agradável e até mesmo relaxante, somado a isso o fato de ter sido lançada em muitas coletâneas (muitas delas piratas, quem não lembra da época das fitinhas K7?) ao lado de baladas do Guns N’ Roses, KISS, Bon Jovi, U2, entre outras bandas com baladas que tocavam exaustivamente na época, muitas pessoas acabaram classificando-a como mais uma música romântica.

 

Analisando um pouco a letra da música, e também seu excelente videoclipe, percebe-se facilmente que se trata de um equívoco.

 

Assim como no álbum anterior, o Queensrÿche continuava lançando músicas com letras de altíssimo nível e complexidade. Retratando uma viagem ao subconsciente humano, uma projeção da alma durante o período de sono, a letra mostra como o indivíduo, no caso a mulher retratada na letra, se sente mais confiante e protegido quando está desligado da realidade do mundo material.

 

Neste caso o sono funciona como uma válvula de escape do mundo, e sem ele certamente haveria uma situação de completo desequilíbrio físico e emocional humano. Como percebemos, o tema de “escape” tão vivenciado pelo personagem “Nikki” no álbum anterior, está de volta. Mas escapar de quê? Aqui é possível se fazer uma analogia com um dos maiores clássicos da história do Rock, “Comfortably Numb”, do Pink Floyd.

 

Todo o conceito do álbum “The Wall”, gira em torno de uma grande crítica feita em cima dos grandes males que afeta a humanidade, como a guerra, a intolerância e o consumismo desenfreado, o que acabou com que Roger Waters criasse um muro emocional ao seu redor, o separando do resto do mundo, o levando a um estado misantrópico de quase demência, como foi tão bem retratado através do filme de mesmo nome. Mesmo sendo forçado a se submeter a um estado de alienação ao resto do mundo, o personagem acaba por se sentir mais seguro neste estado, longe das preocupações, praticamente agindo como na infância.

 

Isso é perfeitamente mostrado no clipe da música “Silent Lucidity”, com imagens de crianças adormecidas sendo supostamente protegidas por imagens disformes, na maioria das vezes sombras, enquanto a letra fala que irá cuidar delas, irá protegê-las na noite, irá ajudá-las até o fim, sugerindo que este tipo de ajuda venha de outros planos metafísicos rumo ao inconsciente humano, versos esses que são encerrados com a afirmação de uma voz bem distante que diz que tudo é apenas um sonho, mas que se quiserem, elas podem tomar o controle dele.

 

Além de serem indiscutivelmente duas das mais clássicas baladas da história da música, apresentam letras incríveis que nos fazem refletir sobre como é possível um mundo estar em um estado tão lastimável que necessite que nos auto-alienemos para podermos suportá-lo. Levando em consideração que uma das músicas foi gravada há mais de 20 anos, e outra há mais 30, parece que de lá pra cá pouca coisa mudou…

 

E você ? O que acha ?? Enquanto pensa, ouça a canção e ... boa viagem ....

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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